ADOLESCÊNCIA
Por Dra. Mara Santos Crizel
Na visão da Sigmund Freud e de outros autores da psicanálise, a adolescência não começa apenas em uma idade exata marcada pelo calendário. Ela é, antes de tudo, um processo psíquico de transformação. No entanto, de forma geral, considera-se que o início da adolescência ocorre entre os 10 e 13 anos, período em que o corpo inicia mudanças hormonais e a mente passa por profundas reorganizações emocionais.
Nesse momento, aquilo que a psicanálise chama de segunda grande reorganização da personalidade começa a acontecer. O jovem deixa de se identificar totalmente com a criança que era e passa a construir uma nova identidade. Ele começa a questionar regras, valores e até mesmo a autoridade dos pais. Esse movimento não significa rebeldia gratuita, mas sim um processo necessário de separação psicológica.
O adolescente precisa, inconscientemente, se afastar um pouco das referências infantis para descobrir quem ele é no mundo. É por isso que surgem comportamentos como contradições, mudanças de humor, necessidade intensa de pertencimento a grupos e uma forte busca por autonomia.
Para os pais, a maior dificuldade costuma ser aceitar essa transformação. Muitos continuam enxergando o filho como criança, enquanto o jovem luta internamente para ser reconhecido como alguém que está se tornando adulto. Esse desencontro gera conflitos.
Os pais enfrentam três grandes desafios nessa fase:
1. Lidar com a perda da criança que existia
A adolescência também é um pequeno luto para os pais. A criança dependente, carinhosa e previsível começa a desaparecer.
2. Aceitar o questionamento da autoridade
O adolescente passa a discutir regras e valores. Na psicanálise, isso é visto como parte da construção do pensamento próprio.
3. Aprender a equilibrar limites e liberdade
Excesso de controle pode gerar revolta, enquanto ausência de limites pode provocar insegurança.
Do ponto de vista psicanalítico, a adolescência não é um problema a ser corrigido, mas uma travessia. Quanto mais os pais conseguem oferecer escuta, presença emocional e limites consistentes, mais o jovem se sente seguro para construir sua identidade.
No fundo, o adolescente não está tentando se afastar da família. Ele está tentando descobrir quem é sem deixar de pertencer. E é justamente nessa tensão entre autonomia e vínculo que se constrói o adulto do futuro.
Adolescência
Por Dra. Mara Santos Crizel
Fonte:
Ser & Sentir Psicanálise Clinica e Neurociência
Dra. Mara Santos Crizel
Psicanalista, Homeopata e Neurocientista.
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